Dez capitais têm sinal de aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave, aponta Fiocruz


Tendência nacional é de interrupção na queda de novos casos; apagão de dados do Ministério da Saúde pode ter prejudicado estimativas. Quase 98% dos casos de SRAG no país neste ano foram causados pelo novo coronavírus.

 

Dez capitais brasileiras (veja detalhes mais abaixo) mostram sinal de aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), aponta o boletim de monitoramento semanal da Fiocruz, o InfoGripe, divulgado na quinta-feira (19) com dados até o dia 14 de novembro.

 

 

A SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, quase 98% dos casos no país têm o novo coronavírus (Sars-CoV-2) como causa, segundo dados da fundação.

 

 

As tendências sempre se referem ao período anterior à data do boletim. Por exemplo: as tendências de longo prazo apontam para o que tem sido visto nas 6 semanas anteriores a ele em cada capital; já as de curto prazo apontam para as 3 semanas anteriores.

 

 

Veja as tendências:
Rio Branco foi a capital com o sinal mais claro de que houve crescimento de casos nas últimas 6 semanas.
Belo Horizonte, Florianópolis, João Pessoa, Natal, o Plano Piloto de Brasília e arredores (DF), São Luís e Vitória tiveram sinal moderado de crescimento nas últimas 6 semanas.

 

Florianópolis, João Pessoa e São Luís já apresentam a tendência de crescimento a longo prazo há pelo menos 6 semanas. Natal tem a mesma tendência há 4 semanas, o Plano Piloto de Brasília e arredores e Rio Branco há 3. Vitória apresentou tendência de crescimento nas últimas duas semanas. É a primeira vez que Belo Horizonte aparece com tendência de crescimento a longo prazo desde o início da queda nos casos após o pico da pandemia.
Goiânia e Palmas tiveram sinal moderado de crescimento nas últimas 3 semanas.

 

 

A tendência de aumento nos casos nas capitais já vinha sido apontada em boletins anteriores da Fiocruz – mas, desta vez, a quantidade de cidades sob alerta de crescimento de casos aumentou de 9 para 10 capitais.

 

 

A fundação alerta, entretanto, que a situação ainda é muito diferente entre as várias regiões do país. Algumas capitais que haviam apresentado sinal de crescimento no último boletim, por exemplo, voltaram a ter uma estabilização, inclusive a longo prazo: Belém, Fortaleza, Maceió, Macapá e Salvador.

 

 

Já Manaus teve sinal moderado de queda, mas, alerta Gomes, o dado pode ter sido influenciado pelo apagão de dados do Ministério da Saúde.

 

 

Os dados do boletim indicam uma possível interrupção na queda de casos de SRAG no Brasil, ou seja: é possível que os casos estejam parando de cair no país.

 

 

“A média móvel se mostra estável desde a semana [epidemiológica] 43 [de 18 a 24 de outubro], mas a confirmação virá nas próximas semanas”, diz Marcelo Gomes.

 

Apagão de dados
O apagão de dados que atingiu a rede do Ministério da Saúde há cerca de duas semanas também pode ter prejudicado as estimativas do boletim – o que deve ser corrigido nas próximas semanas, diz a Fiocruz.

 

O problema atrasou a atualização de casos e mortes pela Covid-19 e, também, dos dados de SRAG das últimas duas semanas epidemiológicas (de 1º a 14 de novembro).

 

 

“Tal alteração pode resultar em eventual perda de qualidade da estimativa de casos recentes em alguns locais. Como o sistema é recalibrado semanalmente, eventual perda de precisão deve ser reduzida gradativamente nas próximas semanas”, diz o boletim.

 

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