Secretário de Saúde do RJ anuncia parceria com rede federal para retomar cirurgias bariátricas
Programa do Hospital Carlos Chagas foi encerrado em agosto. Carlos Alberto Chaves diz que ainda não tem a lista de pacientes aptos à cirurgia.

O secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, anunciou nesta segunda-feira (2) que o estado está firmando uma parceria com hospitais federais para a retomada do programa de cirurgias bariátricas.
Uma reunião com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e com o Conselho Regional de Medicina, nesta quarta-feira (4), vai procurar definir a data da volta das atividades.
Quase seis mil pessoas aguardam na fila para ter o primeiro atendimento no programa do Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio — suspenso em 31 de agosto.
A Secretaria Estadual de Saúde tinha prometido retomar as cirurgias até o fim de outubro, mas, segundo Chaves, entraves burocráticos atrasaram a reativação do programa.
“Nas reuniões que estamos realizando desde 14 de outubro, a Sociedade deu a ideia de que poderia ser utilizado o serviço de cirurgia bariátrica dos hospitais federais: do Andaraí, de Ipanema e dos Servidores”, disse Chaves.
‘Apagão de dados’
O secretário, no entanto, disse que faltam informações básicas. “A chefia do serviço do Carlos Chagas mantém a lista de pacientes com ela. Nós da secretaria não temos nenhuma relação de quem já fez exames”, disse Chaves.
Só quando Chaves tiver a lista dos pacientes aptos em mãos, será possível dizer quando as cirurgias voltaram a acontecer.
Chaves lembrou que o programa de cirurgia bariátrica do Hospital Carlos Chagas não foi interrompido pela secretaria, mas por determinações legais. O programa foi suspenso em 31 de agosto.
Angústia na espera
A auxiliar administrativa Leane de Oliveira espera há três anos pela cirurgia.
“Obesidade é uma doença grave que acaba com toda a nossa expectativa, nossa qualidade de vida. Meu maior sonho é que eu acorde amanhã e falem: ‘Sua cirurgia está marcada, o programa voltou a funcionar’”, disse Leane.
A cirurgia bariátrica é um procedimento indicado para pessoas com obesidade mórbida. A operação ficou conhecida como “redução de estômago” porque reduz a capacidade de receber alimentos de até um litro e meio para 200 ml, em média.
A base do programa estadual de cirurgia bariátrica é o Hospital Estadual Carlos Chagas, com capacidade para operar mais de 40 pacientes por mês. A técnica usada aqui é considerada de ponta, menos invasiva e mais segura. Mas depois de dez anos e 3.500 cirurgias, o governo suspendeu o programa alegando irregularidades.
Valores sob suspeita
Há duas semanas, em entrevista ao Bom Dia Rio, Chaves detalhou as suspeitas.
Desde então, os 5.711 pacientes aguardam novos comunicados, como Flávia. “Eu me inscrevi no programa não procurando um corpo bonito, mas sim saúde e qualidade de vida”, disse a paciente.
Outra que também aguarda do desfecho dessa história é Isabel. “Eu tomo 19 tipos de remédios durante o dia. Eu vivo à base de remédio. E a bariátrica iria mudar minha situação”, explicou.
A paciente Mônica também pede a volta do programa. “Obesidade é doença. Eu não queria estar assim. Eu não estou querendo fazer uma bariátrica para ficar bonita, não. É minha saúde. Eu não tenho saúde, eu não consigo fazer nada.”
Para os pacientes, a bariátrica representa mais que um recomeço. Sem ela, a vida para, como diz Leane.
“A importância é voltar a ter uma vida normal. A obesidade é uma doença grave, onde a gente não consegue ter convívio social, onde a gente não consegue ter vida. Tudo é muito difícil. Você não consegue subir uma escada, cuidar dos seus filhos, cuidar de casa, fazer sua própria higiene é muito complicado”, disse Leane.
