Governador em exercício do Rio defende que STF adie decisão sobre divisão de royalties
Claudio Castro se reúne nesta terça (27) com presidente do Supremo, Luiz Fux, para tratar do assunto. Liminar suspende desde 2013 mudança na distribuição de royalties do petróleo.

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Claudio Castro, defendeu nesta terça-feira (27) que o Supremo Tribunal Federal (STF) adie o julgamento de uma ação que questiona as regras para a divisão dos royalties da produção de petróleo entre os estados.
No julgamento, marcado para 3 de dezembro, o STF decidirá se mantém uma decisão liminar (provisória) que suspendeu as novas regras estabelecidas pela lei aprovada em 2012 pelo Congresso e sancionada pela então presidente Dilma Rousseff.
Essa lei estabelece a divisão dos recursos entre todos os estados e municípios, mesmo aqueles que não produzem petróleo, o que reduz a parcela destinada aos estados produtores.
O trecho referente à divisão dos recursos foi suspenso pela ministra Cármen Lúcia, relatora da ação, em março de 2013. Ao conceder a liminar, a ministra argumentou que uma nova lei não pode ferir o direito adquirido dos produtores e que não se pode beneficiar um estado prejudicando outro.
Se a liminar vier a ser derrubada, a perda de arrecadação estimada para o estado e municípios produtores no Rio de Janeiro é de R$ 57 bilhões em cinco anos.
Desde a decisão da ministra, o julgamento da liminar pelo plenário do STF já foi adiado três vezes.
Nesse intervalo, governadores de estados produtores e não produtores passaram a negociar uma saída para o entrave criado pelas regras aprovadas em 2012.
Castro está em Brasília e deve se reunir mais tarde nesta terça com o presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, para tratar da possibilidade de um novo adiamento do julgamento.
Ele disse que as discussões entre os governadores haviam diminuído devido à pandemia, mas foram retomadas nas últimas semanas.
“A gente vai tentar conversar com o ministro Fux para que ele dê mais um tempo para que os estados possam entrar em um acordo e a gente não ter nenhum dos estados produtores prejudicados, mas também que os outros estados sejam contemplados”, disse Castro.
“Como está avançando [a negociação entre os estados], tem uma decisão agora, ou o projeto pautado agora, ele pode atrapalhar a negociação”, completou o governador em exercício.
Questionado sobre quanto tempo seria necessário para que se chegasse a um acordo, Castro disse que o prazo será definido pelo presidente do STF.
Depois de julgar a liminar, o Supremo terá ainda de decidir a questão — em um outro momento — de forma definitiva (já que a liminar é uma decisão provisória) e definir se as regras previstas na lei serão derrubadas ou não.
Pela regra em vigor, estados e municípios sem extração de petróleo recebem, respectivamente, 7% e 1,75% de royalties. A lei suspensa previa que estados e municípios sem extração de petróleo receberiam 21% dos royalties e, a partir de 2020, 27% do total arrecadado pela União.
