‘Guardiões do Crivella’: chefe de gabinete e secretário especial do prefeito faltam a depoimento


Advogados pediram à polícia a remarcação dos depoimentos e não há nova data definida.

A Secretaria de Polícia Civil do Rio intimou a chefe de gabinete do prefeito Marcelo Crivella e o secretário especial da prefeitura a prestarem depoimento na sede da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), nesta sexta-feira (4).

 

 

Os depoimentos de Margarett Rose Nunes Leite Cabral, chefe de gabinete de Crivella, e de Ailton Cardoso da Silva, secretário especial da prefeitura, estavam marcados para as 11h, mas até as 15h eles não tinham chegado à sede da delegacia especializada, no Centro do Rio.

 

 

Por volta das 18h, a Draco informou que os depoimentos foram remarcados a pedido dos advogados dos investigados e ainda não foi definida uma nova data para ouví-los. A polícia informou que as investigações vão continuar.

 

 

A advogada de um deles esteve na delegacia no início da tarde. Segundo ela, o cliente não prestaria depoimento, uma vez que a defesa não teve acesso aos autos. As informações são da polícia.

 

 

O delegado quer esclarecer se existia alguém na hierarquia da prefeitura acima de Marcos Luciano, que é apontado como o chefe dos ‘Guardiões do Crivella’.

 

 

A Draco é a responsável por investigar as ações do grupo denominado “Guardiões do Crivella” – funcionários da prefeitura pagos para intimidar jornalistas e cidadãos nas portas de hospitais da rede municipal.

 

 

O caso foi mostrado em uma reportagem especial do RJ2.

 

 

Margarett, por ser chefe de gabinete, é considerada superior do Marcos Luciano, que é um assessor especial lotado no gabinete do prefeito. Sobre a situação dela, a prefeitura disse que ela é inserida em diversos grupos sem que tenha ingerência sobre eles.

 

 

“A simples análise do que foi exibido já permite que a gente conclua a existência de três crimes: o atentado à segurança do serviço de utilidade pública, no caso, a imprensa; a associação criminosa, tendo em vista que eles se organizaram para impedir o livre exercício do jornalista; e a advocacia administrativa, considerando que eram agentes públicos exercendo uma função que não era de interesse público.”

 

 

Outros nomes
Mariana Angélica Toledo Gonçalves, apontada como braço direito de Marcos Luciano. Segundo testemunhas, as pessoas tinham medo das ameaças que Marcos Luciano e Mariana faziam.

 

 

De acordo com elas, ameaças de demissões ocorriam com frequência, caso eles não cumprissem com o determinado, que era ficar na porta dos hospitais, mesmo no auge da pandemia.

 

 

Segundo o delegado, ainda é prematuro afirmar que qualquer pessoa que possua prerrogativa de foro esteja envolvida nas atividades do grupo – de acordo com ele, a participação em um grupo de WhatsApp não significa conduta criminosa.

 

 

Referindo-se ao prefeito Marcelo Crivella, ele afirmou que, caso seja apurada a participação de alguma pessoa com prerrogativa de foro, a situação será encaminhada às autoridades competentes.

 

 

Ele informou que as investigações da Draco e do Ministério Público do Rio de Janeiro são procedimentos separados.

 

 

Após o depoimento de Marcos Luciano, que seria o coordenador dos “Guardiões do Crivella”, a polícia concluiu ele de fato estava lotado no gabinete do prefeito.

 

 

“Agora vamos avançar. Com todo esse conteúdo que foi apreendido — notebooks, tablets e celulares –, vamos saber se ele era mesmo o líder ou se havia alguém acima dele. Para isso, vamos intimar a Chefia de Gabinete até sexta-feira (4). Queremos saber quais as funções desses agentes comissionados lotados ali.”

 

 

 

Ainda de acordo com o delegado, os integrantes dos grupos de WhatasApp serão intimados a prestar esclarecimentos na delegacia, caso fique constatado que eles tinham ciência do conteúdo das conversas.

 

 

Vereadores barram pedido de impeachment
Nesta quinta-feira (3), a Câmara dos Vereadores do Rio decidiu por maioria simples — 25 votos a 23 — barrar o processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

 

 

A denúncia feita à Casa foi fundamentada na revelação do RJ2 sobre a existência do grupo “Guardiões do Crivella”.

 

 

As discussões duraram quase 4 horas, numa sessão híbrida – presencial e remota, em meio à pandemia de coronavírus.

 

 

Houve momentos inusitados, como um vereador usando uma camisa do Flamengo, uma vereadora participando remotamente da sessão em um carro e outra comendo pipoca no plenário da Câmara.

 

 

 

No total, a Câmara tem 51 vereadores e a votação se deu por maioria simples: para aprovação, bastava a maioria dos votos dos parlamentares presentes.

 

Prefeito faz pronunciamento
O prefeito Marcelo Crivella fez um pronunciamento nesta sexta, sem abrir espaço para perguntas de jornalistas, que tinham sido convocados pela assessoria para uma entrevista coletiva. Ele elogiou a decisão da Câmara de Vereadores de não abrir o processo de impeachment e criticou as investigações.

 

 

“A partir do momento desta reportagem, em poucos minutos, em poucas horas, estava pronta uma representação. Uma representação feita por uma delegada que leva a uma juíza de plantão, que ouve o Ministério Público e decide na mesma hora. Depois, há um questionamento do cartório e a juíza decide na mesma hora. Medidas duras, de impacto. Porque tratava-se de busca e apreensão, de quebra de sigilo e coisa do tipo. E eu pergunto: essas coisas podem ser feitas em plantão?”, declarou o prefeito.

 

 

No fim do pronunciamento, Crivella disse que só responderia perguntas por escrito, mas comentou um questionamento sobre a participação de seu assessor Marcos Luciano nos grupos usados para organizar as ações que constrangiam a imprensa e os cidadãos.

 

 

“O que ocorre é que essas pessoas têm o livre e sagrado direito de fazer a sua expressão.”

 

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