Megaoperação contra facção criminosa cumpre 305 dos 422 mandados de prisão; R$ 6 milhões e armas são apreendidos


Investigação aponta que integrantes do grupo, que estão detidos em presídios federais, recebiam auxílio mensal por terem ocupado cargos de alto escalão.

A força-tarefa coordenada pela Polícia Federal contra fação criminosa ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro cumpriu cerca de 305 mandados de prisão e apreendeu cerca de R$ 6 milhões, sendo R$ 2,1 milhões e US$730 mil.

 

A megaoperação, realizada nesta segunda-feira (31) em 19 estados, além do Distrito Federal, ganhou o nome de Caixa Forte 2. Foram expedidos 422 mandados de prisão e 202 de busca de apreensão.

 

 

Além do dinheiro, foram apreendidas quatro armas de fogo. Segundo a Polícia Federal, até às 17h30, este era um balanço parcial, porque os resultados da operação ainda continuavam sendo contabilizados.

 

Entre os alvos estão integrantes do PCC, familiares e outras pessoas responsáveis por lavar dinheiro para a organização. O estado que teve o maior número de mandados de prisão é o Paraná, com 101.

 

Segundo a PF, esta é a maior operação da corporação em número de estados, mandados e valores apreendidos. O valor apreendido foi localizado em um endereço, em Santos, no litoral de São Paulo.

 

Em Cuiabá (MT), houve confronto e um policial acabou baleado. Ele foi salvo pelo colete à prova de balas.

 

Nesta manhã, a Justiça de MG bloqueou cerca de R$ 252 milhões em contas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Cerca de R$ 6 milhões foram apreendidos em espécie.

 

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, 220 pessoas que estão atualmente detidas em presídios federais recebiam um auxílio mensal da facção por terem alcançado cargos de alto escalão na organização criminosa ou por terem realizado missões, como a execução de servidores públicos.

 

O delegado Alexander Castro, coordenador da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (FICCO) em MG, afirmou que o pagamento variava dependendo da função ocupada pela pessoa dentro do esquema. O responsável pela morte de um juiz ou de um policial, por exemplo, recebia mais do que chefes do primeiro escalão.

 

Eles destacaram ainda que essas missões eram realizadas antes da entrada destes criminosos no sistema prisional. “O Depen participa dessa força integrada, ele nos ajudou com inteligência. O nosso foco hoje é a lavagem de dinheiro de capitais que circula fora do sistema prisional”, explicou o delegado Cairo Duarte, superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais.

 

Os pagamentos eram feitos por meio de contas de pessoas que não pertenciam à facção, a fim de evitar a identificação dos recursos por parte das autoridades. “A gente tem certeza com comprovantes desde janeiro de 2018”, completou Castro.

 

A operação batizada de Caixa Forte – Fase 2 é realizada pela FICCO, composta por PF, Polícia Civil de Minas Gerais, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e Departamento Penitenciário de MG. As investigações desta etapa começaram há um ano.

 

“A Fase 1 investigou o ‘Setor do Progresso’ da maior facção criminosa do Brasil e, na documentação apreendida, nós identificamos que parte desse dinheiro estava sendo canalizado para contas de um determinado setor, o denominado ‘Setor da Ajuda’, que dentro da facção paga uma espécie de mesada, de salário”, afirmou Castro.

 

Locais onde há alvos da operação:
Acre
Alagoas
Amazonas
Ceará
Distrito Federal
Goiás
Minas Gerais
Mato Grosso do Sul
Mato Grosso
Pará
Paraíba
Pernambuco
Paraná
Rio de Janeiro
Rio Grande do Norte
Rondônia
Roraima
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
São Paulo

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