Indefinição sobre o carnaval 2021 do Rio faz Viradouro anunciar demissão de funcionários


Carnavalesco Wagner Gonçalves cria projeto Barracão Solidário para ajudar profissionais dispensados. Império da Tijuca está rifando posto de destaque de chão.

A pandemia tem deixado um rastro de desemprego, preocupações e incertezas no caminho das escolas de samba. Nesta segunda-feira (17), a Unidos do Viradouro, campeã do carnaval de 2020, divulgou comunicado informando a demissão de parte dos funcionários.

 

Para superar a crise, carnavalescos, intérpretes e escolas se solidarizam para espantar a tristeza. Eles criaram projetos de arrecadação financeira e de alimentos para não deixar de ajudar sambistas, funcionários e as próprias escolas.

 

Em julho, a Mangueira anunciou a suspensão do pagamento de funcionários e colaboradores da quadra e do barracão.

 

Agora, foi a vez da Viradouro que, no comunicado assinado pelo presidente Marcelinho Calil, informou que serão mantidos somente os funcionários imprescindíveis para a recuperação do barracão – que pegou fogo em abril – e manutenção da quadra. Quem teve o contrato renovado para a próxima temporada receberá 50% do valor acertado, até o próximo carnaval.

 

Barracão Solidário
Enquanto a crise financeira se alastra, o carnavalesco Wagner Gonçalves (Estácio de Sá), com o apoio dos amigos Edson Pereira (Unidos de Vila Isabel) e Leandro Vieira (Mangueira e Império Serrano), foi buscar uma solução para ajudar carpinteiros, aderecistas, ferreiros, pintores, costureiros e cenógrafos, profissionais que ajudam as escolas a brilhar na Avenida e que estão em dificuldade financeira.

 

E foi pensando no silêncio dos barracões fechados que nasceu no dia 12 de agosto o projeto Barracão Solidário. A ideia, segundo Wagner, é fazer muito barulho e arrecadar doações que ajudem essas pessoas a pagar aluguel, contas de água, energia, gás ou comprar remédios.

“Com as lives dos intérpretes, ajuda das escolas e projetos como o Vozes do Samba, temos conseguidos muitas doações de cestas básicas, o que é ótimo. Mas percebemos que alguns profissionais estão passando dificuldades. Eles recebem a comida, mas não têm dinheiro para o gás. Aí, conversando com jornalistas, sambistas e todo mundo que participa do carnaval estabelecemos uma meta diferente”, disse Wagner.

 

Num levantamento preliminar, Wagner calculou poder ajudar 250 profissionais de carnaval que estejam em dificuldades financeiras. Escolas, carnavalescos e diretores estão fazendo o cadastramento das pessoas que poderão receber essa ajuda.

 

Wagner disse que ainda estuda a melhor forma de fazer a divisão da arrecadação. E que primeiro quer ver quanto vai conseguir levantar.

 

“Criamos a meta de levantar R$ 150 mil até o dia 14 de setembro, que é dia de aniversário do Ismael Silva (criador da primeira escola de samba, a Deixa Falar). Mas não temos noção de quanto vamos arrecadar e nem quantas pessoas vamos conseguir ajudar. Ficamos muito sensibilizados com a situação desses profissionais.

 

Tem muita gente boa que não conseguiu se reinventar e se recolocar no mercado. Hoje, tenho uma condição mais confortável, mas vim debaixo e sei como é difícil dar essa volta por cima”, disse o carnavalesco, que em sete dias arrecadou pouco mais de R$ 2,2 mil.

 

Rifas e sorteios
As escolas estão tentando sobreviver à crise financeira. A Império da Tijuca também buscou uma alternativa para superar as dificuldades. Depois de fazer uma disputa de samba com valor de inscrição transformada em cestas básicas para comunidade do Morro da Formiga, a escola criou a Rifa Imperial.

A ideia do carnavalesco Guilherme Estevão consiste em rifar uma posição de destaque de chão da escola. O posto de musa ou muso da Império da Tijuca é aberto para maiores de 18 anos. Os interessados em brilhar no chão da Sapucaí, podem se inscrever no site da escola.

 

A rifa custa R$ 50 e o interessado pode comprar quantos números desejar, aumentando assim suas chances de desfilar. O sorteio será feito ao vivo, em uma live da final de disputa de samba no dia 12 de setembro.

 

A Mangueira, a primeira a anunciar o desligamento de funcionários, está sorteando o posto de destaque principal no carro abre-alas da escola no próximo carnaval. Para concorrer, basta comprar um ingresso solidário (R$ 300) para o próximo evento na quadra.

 

O vencedor do sorteio terá a fantasia paga pela agremiação e terá o direito de levar um acompanhante como apoio, devidamente vestido com a camisa oficial da escola. Há prêmios para até cinco sorteados.

 

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