Bolsonaro promete ajuda ao Líbano e convida Temer para chefiar missão ao país árabe


O presidente Jair Bolsonaro afirmou que enviará nas próximas semanas alimentos e medicamentos ao Líbano, após a explosão que atingiu o principal porto do país árabe, em Beirute, na última terça-feira. A explosão devastou parte da cidade, deixou ao menos 158 mortos e 300 mil desabrigados e causou prejuízos estimados em US$ 15 bilhões.

Bolsonaro prometeu o envio de um navio com 4 mil toneladas de arroz ao Líbano, que teve o estoque de grãos e cereais comprometido por causa da explosão, além de uma aeronave com “medicamentos e insumos básicos de saúde, reunidos pela comunidade libanesa radicada no Brasil”. Ele disse ainda que o Brasil vai mandar uma equipe técnica multidisciplinar para auxiliar na perícia da explosão e que convidou o ex-presidente Michel Temer, descendente de libaneses, para chefiar a missão.

 

Em nota, Temer disse estar honrado pelo convite feito pelo presidente e afirmou que “quando o ato for publicado no Diário Oficial serão tomadas as medidas necessárias para viabilizar a tarefa”.

 

As declarações de Bolsonaro foram feitas neste domingo durante uma videoconferência com líderes mundiais para organizar a ajuda internacional ao Líbano. O evento foi aberto pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que pediu uma “ação rápida e eficaz” da comunidade internacional para a recuperação do país árabe.

 

A conferência, copresidida pela vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, é vista como uma forma de as potências ocidentais recuperarem influência no Líbano, onde os mais recentes governos aprofundaram a aproximação com Irã, Síria e China.

 

O presidente do Brasil fez uma transmissão ao vivo em suas redes sociais enquanto acompanhava o evento. Bolsonaro abriu seu discurso prestando solidariedade ao Líbano e afirmou que, pelo tamanho da comunidade libanesa aqui, o que acontece no país árabe afeta o Brasil.

 

— O Brasil é lar da maior diáspora libanesa do mundo. Dez milhões de brasileiros de ascendência libanesa formam uma comunidade trabalhadora, dinâmica e participativa, que contribui de forma inestimável com o nosso país. Por essa razão, tudo que afeta o Líbano, nos afeta como se fosse o nosso próprio lar e a nossa própria pátria — declarou.

 

Segundo fontes do Palácio do Planalto, Bolsonaro fez questão de escrever sozinho o discurso que durou pouco mais de dois minutos. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o secretário de Assuntos Estratégicos (SAE), almirante Flávio Rocha, e o assessor especial da Presidência, Filipe Martins, que acompanharam a transmissão ao lado do presidente, revisaram o texto com o chefe de estado minutos antes do anúncio oficial.

 

Macron, o primeiro líder internacional a visitar Beirute após a explosão, na última quinta-feira, afirmou que as potências mundiais têm “o dever de apoiar o povo libanês”. O francês lembrou ainda que Israel, que já travou várias guerras contra o Líbano, demonstrou interesse em ajudar a nação vizinha.

 

— Apesar das diferenças de opinião, todos devem ajudar o Líbano e seu povo — afirmou Macron — Nossa tarefa hoje é agir com rapidez e eficiência.

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