Pela primeira vez em 20 anos, região de Guarus, em Campos, passa um mês sem homicídios


Pela primeira vez em 20 anos, a 146ª Delegacia de Polícia de Guarus, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, passou um mês sem registrar homicídios.

De acordo com o delegado titular da 146ª DP, Pedro Emílio Braga, a ausência de homicídios em Guarus no mês de maio é resultado do trabalho que vem sendo realizado pela polícia mesmo durante a pandemia da Covid-19.

 

“Mesmo diante dos riscos de um vírus mortal, cientes da essencialidade de suas funções, (os agentes) não se furtaram a prosseguir com as investigações e operações de captura de criminosos”, afirmou o delegado.

 

Entre janeiro de 2019 e maio de 2020, de acordo com a polícia civil, 437 pessoas foram indiciadas pelo crime de homicídio doloso na região de Guarus, o que significa algo próximo de 1 autor de homicídio responsabilizado por dia (0,86).

 

No mesmo período, agentes da 146ª DP realizaram mais de 20 operações de captura, o que resultou, segundo a unidade, na prisão de 91 homicidas.
O marco histórico também foi celebrado pelo 8º Batalhão de Polícia Militar em Campos.

 

“Não houve nenhuma morte em toda área onde, quem conhece, sabe o quanto este número é significativo e inédito no município”, destacou o comandante do batalhão, tenente-coronel Luiz Henrique Monteiro Barbosa.

Só em maio de 2018, a região de Guarus registrou 16 homicídios. No mesmo período em 2019, foram 9 casos, segundo a 146ª DP.

 

O tenente-coronel acrescentou, ainda, que o marco obtido confirma a importância das ações realizadas pela polícia.

“O mérito não é somente nosso, mas também de toda sociedade, que através da integração conosco, nos ajuda a obter resultados positivos por meio de ligações pelo 190 e Disque Denúncia (22-2723-1177). Foi difícil, mas conseguimos!!! Seguiremos na missão, para que os números sejam sempre favoráveis à população”, diz trecho de nota publicada em uma rede social.

 

Dados da violência no Norte Fluminense
De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o 8º Batalhão de Polícia Militar registrou queda no número de ocorrências em geral nos primeiros quatro meses de 2020, se comparado ao mesmo período do ano passado.

 

Além de Campos dos Goytacazes, o 8º BPM também atende os municípios de São Francisco de Itabapoana, São Fidélis e São João da Barra.

Só nos índices de homicídio, a queda foi de 10% no número de registros, caindo de 67 casos entre janeiro a abril de 2019 para 60 casos no mesmo período deste ano.

 

Nos registros de roubo, houve queda de 47% de janeiro a abril de 2020, em comparação com os mesmos meses de 2019, caindo de 802 casos para 425. Analisando apenas os meses de abril, a queda foi de 228 para 49 registros, 78% a menos.

 

Nos registros em geral, a queda foi de 23% no período.

O 32º BPM, com sede em Macaé mas que também atende cidades do Norte Fluminense (Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus), registrou queda no número de ocorrências em geral (15%), mas um aumento de 41% nos casos de homicídio.

 

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou que a Corporação atua incansavelmente para reduzir a incidência criminal em todo o território estadual, tanto de crimes contra a vida como crimes contra o patrimônio.

 

“O trabalho conjunto e estruturado em parceria como os demais órgãos de segurança do Governo continua surtindo excelentes resultados, conforme demonstram os indicadores criminais do primeiro quadrimestre deste ano divulgados recentemente pelo Instituto de Segurança Pública”, declarou o órgão.

 

A Polícia Militar disse, ainda, que as variações verificadas em algumas áreas estão sendo analisadas por especialistas não só da Polícia Militar, como dos demais órgãos de segurança, acrescentando que ainda é cedo para afirmar se esses números podem ter relação com as medidas restritivas estabelecidas pelos governos municipais e estadual para o combate à pandemia da Covid-19.

 

“Sem uma avaliação técnica e criteriosa, seria prematuro estabelecer relação entre oscilações pontuais de determinados indicadores em algumas áreas do estado com o momento atípico vivido em função da crise sanitária, social e econômica sem precedentes no país”, concluiu.

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