‘Esbarrei na burocracia e fiquei sem ter como captar o crédito até hoje’, diz dona de salão de beleza no Recife


Veja relatos de pequenos comerciantes sobre dificuldades para acessar linhas de financiamento anunciadas pelo governo federal para conter efeitos econômicos da pandemia.


Pequenos comerciantes vêm enfrentando dificuldades para acessar benefícios e linhas de financiamento anunciados pelo governo federal para combater os efeitos econômicos da pandemia da Covid-19. (Vejas relatos abaixo)

 

Donos de estabelecimentos de comércios e serviços que estão sem poder abrir as portas e têm faturamento em queda, esses pequenos empresários não conseguem acesso ao crédito prometido.

Já foram anunciados: auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores informais, desempregados, contribuintes individuais do INSS e MEIs; linha de crédito emergencial voltada a pequenas e médias empresas para pagamento do salário de funcionários; linha de crédito da Caixa Econômica Federal para microempreendedor individual e micro e pequenas empresas.

 

Economistas e analistas ouvidos  avaliam que as medidas anunciadas pelo governo para mitigar os impactos econômicos provocados pela pandemia do coronavírus são insuficientes, falhas e não estão chegando a todos que precisam.

Relatos de quem buscou auxílio
Veja relatos de donos desses pequenos negócios espalhados pelo Brasil – como lanchonete, academia e barraca de feira – sobre obstáculos para garantir pagamentos de funcionários e fornecedores, entre outros.

 

Dificuldade na análise de crédito
Monyca Sanches, que é proprietária de uma lanchonete dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), não aderiu a nenhuma das alternativas oferecidas pela Caixa ou BNDES. Ela chegou a procurar a uma linha de crédito emergencial para financiar o salário dos trabalhadores pelo período de dois meses. No entanto, as empresas interessadas nessa opção são submetidas à análise de crédito das instituições financeiras.

Falta de informações
Dono de um restaurante de comida japonesa no Distrito Federal, Jael Antônio da Silva, de 73 anos, conta que ainda não conseguiu acessar as opções de empréstimo ofertadas pelo governo. De acordo com ele, a maioria das linhas de crédito “não está devidamente regulamentada” e os bancos não operam com elas.

Pedido no BNDES negado
Também do DF, Gabriel Rocha, de 38 anos, é dono de um bar e restaurante – o negócio está fechado há 60 dias. Rocha conta que que, na semana passada, conseguiu fazer a solicitação de crédito para o capital de giro pela Caixa Econômica Federal.
O G1 questionou Banco do Brasil, Caixa e BNDES sobre as dificuldades na concessão desses créditos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

 

Dificuldade com burocracia
Flávia Silva é dona de salão de beleza no Recife há 13 anos e também não conseguiu acesso a uma linha de crédito para manter o negócio. “No primeiro momento, quando se falou em fechar os salões, eu procurei algumas linhas de crédito junto com o Sebrae e fui para o Banco do Nordeste. Solicitaram um avalista, e aí eu não pude dar andamento ao processo por conta disso”, diz.

Sem resposta do banco
Empresário do ramo de autopeças há 50 anos, Caetano Carvalho, de 63, conta que há duas semanas foi a uma agência bancária de Campo Grande (MS) para tentar a linha de crédito, mas teve o pedido negado. “Na primeira tentativa [linha de crédito] eu não consegui. Levei todas as folhas de pagamento de todos os funcionários ao banco, acompanhado de todos os documentos necessários para solicitar o crédito”, lembrou.

Entramos em contato com o banco no qual Caetano tem conta para saber o motivo do crédito ter sido negado, mas até a última atualização da reportagem não havia obtido retorno.

 

Auxílio emergencial negado

A feirante Geane Ferreira, de 46 anos, vende bananinha frita na Feira de Economia Solidária, em Rio Branco, junto com o marido, Eliezio Rodrigues, de 60 anos. Ela conta que está há dois meses com as atividades paradas e que desconhecida a linha de crédito do BNDES, mas diz que chegou a tentar fazer cadastro para receber o Auxílio Emergencial – e teve o pedido negado duas vezes.

Empréstimo pode prejudicar negócio
Dona da marca Rio Açaí, a empresária Simone Ferreira, de 43 anos, viu seu faturamento cair quase 90% nas primeiras semanas após as medidas de isolamento social serem implementadas no Rio. Antes da pandemia, ela comandava uma equipe com quatro pessoas que vendiam açaí nas areias da praia do Leblon, na Zona Sul.

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