CULTURA-Poesia e pintura se fundem nos trabalhos de Fábio Gomes, que expõe até 1º de maio no Museu de Campos Antes do vernissage, na fase final da montagem, o artista pôde ser visto percorrendo os módulos que abrigam as 36 telas e seis poemas
Patrícia Bueno
Desde a última quinta-feira, visitar o Museu Histórico de Campos é ser seduzido pelos tons e versos da exposição “Voo Sobre Luz e Sombras”, assinada pelo poeta e artista plástico campista Fábio Gomes. Antes do vernissage, na fase final da montagem, o artista pôde ser visto percorrendo os módulos que abrigam as 36 telas e seis poemas emoldurados, ajeitando os últimos detalhes da mostra que fica em cartaz até o dia 1º de maio.
Realizada pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, a mostra faz parte do projeto “Tela no Museu”. Pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h às 17h e, aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 14h.
Associar pintura e poesia é o mesmo que unir duas grandes paixões do publicitário e estudante de Pedagogia da Uenf, que desde que se entende por gente transita nesses dois mundos. É a sua primeira exposição individual desse porte. “Participei de mostras menores no IFFluminense, quando estudei lá. Na verdade, sou autodidata. Só fiz oficinas para aprimorar minha técnica”, conta, dando uma pausa nos preparativos.
Fascinado por paisagens, Fábio não se prende apenas ao que é bucólico e tranquilo. Também lança mão de sua arte para fazer denúncia social. A exposição em cartaz no Museu é uma mostra da versatilidade do artista, tanto em relação aos temas, quanto às técnicas que variam entre aquarela, acrílica, óleo, látex sobre madeira e textura em gesso.
Recepcionando o visitante, a tela “Céu da Esplanada”, que mostra Brasília sob nuvens carregadas, é um convite à reflexão, bem como a miséria refletida em palafitas e barracos. Um dos trabalhos mais impactantes é o que ele classificou como uma espécie de “Pietá” da favela, onde retrata a dor de uma mãe tendo seu filho morto nos braços.
Nas telas, aparecem lugares como Campos (a igreja da Lapa, o próprio Museu Histórico), Guaxindiba, Atafona, Brasília, Argentina e Chile (para onde viajou há algum tempo). Há uma sequência especial sobre o Rio de Janeiro e suas belezas: a vista magnífica do Vidigal, o desfile da Mangueira na Sapucaí, a onda na praia de Ipanema. “Costumo fazer releituras de fotos. A gente sempre traz uma visão poética sobre as coisas. A nossa visão”, argumenta.
Chama atenção a influência do impressionismo e do expressionismo sobre suas criações, bem como as nuances que Fábio utiliza para compor os céus de suas obras. “Acho que o mais expressivo dos meus quadros é a maneira como retrato o céu. Fico horas pintando. As possibilidades são infinitas”, diz.
Percebe-se também uma liberdade em relação às formas. “Não estou preocupado com a perfeição, mas em passar uma verdade. Há muito quadros belíssimos, mas que não passam emoção. Busco ser eclético”, observa.
E Fábio consegue. Voa do acadêmico à pop art, do surreal ao abstrato, brincando com as pinceladas de cores fortes e vibrantes. Vai da leveza do barco solitário ao drama da mãe que perde o filho, com reflexos, luzes e sombras. Coisas de poeta.
Poesia – Na vida de Fábio, o poeta nasceu primeiro que o artista plástico. Admirador dos grandes autores nacionais e internacionais, como Ferreira Gullar e o chileno Pablo Neruda, ele, que atuou durante anos na área off-shore, se prepara para lançar seu livro de poemas, possivelmente na próxima Bienal de Campos.
Empolgação é a palavra quando Fábio está lendo seus poemas, bem como quando apresenta suas telas. “A pintura é uma forma de expressão poética. Poesia para mim é como respirar. E a pintura é uma extensão disso”, diz. Quem visita a exposição sabe que seus quadros são na verdade poemas que saltam da alma para as telas.
19 de Abril, 2016


