Com dívida de R$ 11 milhões, Uenf "agoniza" e pode fechar as portas

Ururau
Ano de 2016 já começou com uma dívida de aproximadamente R$ 5 milhões, que somado ao ano anterior chega ao número impressionante de R$ 11 mi
O cenário é de preocupação com o destino da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, em Campos. Considerada a 11ª entre as instituições de todo o Brasil e a que tem a maior oferta de bolsas para estudantes de graduação no país, a Uenf – que conta hoje com cerca de 5 mil alunos (entre graduação e pós-graduação), além de 300 professores – vive uma crise impressionante acumulando, desde outubro do ano passado, uma dívida estimada em R$ 11 milhões. Com cortes de telefone, combustível e ainda com ameaças de interrupção nos fornecimentos de água e luz, a universidade pode fechar suas portas.
Nesta segunda-feira (21/03), o reitor da Uenf, Luis Passoni, esclareceu, durante coletiva de imprensa, o real cenário que vive atualmente a instituição. Segundo ele, o ano de 2016 já começou com uma dívida de aproximadamente R$ 5 milhões, que somado ao ano anterior chega ao número impressionante de R$ 11 milhões

“Não é desejo nosso que a instituição pare, mas a gente não pode fechar os olhos para a situação a qual estamos enfrentando. O grande problema que a gente tem é que as dívidas estão se acumulando. A universidade não pagava nenhuma conta (fornecedores, terceirizados e bolsas estudantis) desde outubro do ano passado. E, no início do ano, conseguimos reduzir de R$ 9 milhões para R$ 6 mi o total da dívida que ficou do exercício anterior (2015), dando prioridade para as questões das bolsas e contas de condomínio”, apontou.
A crise na Uenf não para por aí. Segundo Passoni, muitos fornecedores já ameaçam suspender a prestação dos serviços e fornecimentos de materiais por atrasos no pagamento. “Antes do carnaval, recebemos notificação da Ampla – concessionária de energia – de que a luz seria cortada. Eles deram 15 dias para executar o pagamento. Nós conseguimos fazer várias gestões junto a concessionária. Conseguimos intervenção do governo do Estado junto a empresa de luz para que a energia não fosse cortada, mas a solução definitiva (que seria o pagamento das contas) também não foi alcançada. Então essa ameaça continua no ar”, observou. Só de luz, a instituição deve cerca de R$ 2 milhões.
PESQUISA AMEAÇADA
A dívida com a concessionária de água e esgoto da cidade, Águas do Paraíba, está na ordem dos R$ 400 mil, além dos serviços de manutenção, segurança e serviços gerais, cujos funcionários também estão com os salários atrasados desde outubro só fazem aumentar a situação crítica que passa hoje a instituição. Como se isso não bastasse, a mesma coisa acontece com o fornecimento de gases, que também estão ameaçados de interrupção e tem um papel muito importante para os laboratórios de pesquisa, inclusive o nitrogênio líquido onde vários equipamentos são dependentes, não só para o funcionamento, mas para a própria manutenção dos super-imãs, que se chegarem a temperatura ambiente, desmagnetizam e todo o processo pode se perder.
“A gente tem muitas amostras (DNA, por exemplo) que precisam ser mantidas sob refrigeração de menos de 70°. E esses freezers conseguem resistir por até 48 horas. Na falta deles, o prejuízo é incalculável para todos os estudantes que dedicaram o seu tempo na graduação e pós. Nós não queremos sequer cogitar a hipótese de que ficaremos um dia sem energia dentro desse campus”, avaliou a pró-reitora de Pesquisa e Graduação, Rosana Rodrigues.
SAÍDA
Para Passoni, a solução para a crise na qual vive hoje a Uenf seria atribuir uma maior responsabilidade para a universidade na questão da gestão orçamentária. Outra ação é dar maior visibilidade a situação pela qual a instituição está enfrentando numa tentativa de sensibilizar a comunidade para o problema e buscar soluções concretas. O reitor ainda adiantou que há a expectativa de que ocorra a primeira liberação de cota financeira para o final de março. Ocorrendo esse pagamento, outras contas pendentes poderão ser acertadas.
“A gente tem uma certa autonomia financeira, mas ela é insuficiente. Porque primeiro é que a gente trabalha com orçamento aprovado e segundo é que os repasses das cotas financeiras não são feitos de uma maneira mensal. A gente não tem certeza do tamanho da cota que poderemos contar e quando vamos contar com ela. Então para o problema ser de fato resolvido, o primeiro passo seria cumprir o orçamento aprovado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que foi de R$ 180 milhões, mas foi contingenciado, caindo para R$ 155 milhões, e que não será suficiente para este ano; realizar os repasses mensalmente – 1/12 (um doze avos) do orçamento total –; melhorar a facilidade de fazer essa movimentação dentro do orçamento e superar o problema da anualidade”, avaliou Passoni informando que vem mantendo diálogo com o governo do Estado na tentativa de aliviar a crise da instituição.
Também estiveram presentes na coletiva, estudantes (em greve desde o dia 29 de janeiro) que fizeram um protesto pacífico e professores.
22 de Março, 2016


