Artesãos de comunidades do Rio fabricam máscaras caseiras para intensificar combate à Covid-19


Modelos infantis podem ter bordados de personagens de desenho animado. Dono de marca do Complexo do Alemão diz que mudou de ramo e pediu ajuda do Sebrae. Iniciativas surgiram após mudança de orientação do Ministério da Saúde.

“A gente vai ajudando como pode”. Assim resume uma artesã, moradora da comunidade Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, a sua iniciativa de produzir máscaras para o combate da Covid-19.

A ideia de produzir máscaras se espalhou por várias comunidades do Rio depois que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que “qualquer pessoa” poderia confeccionar o equipamento de proteção.

 

O G1 conversou com alguns dos moradores e artesãos. Os entrevistados foram indicados por moradores das comunidades citadas: Thiago Firmino é guia turístico na comunidade Santa Marta, Mariluce Mariá é artista plástica do Complexo do Alemão e Maximiliano Virgílio da Rocha, conhecido como Tino, é Mc no Jacarezinho.

Dona Marta
Andreia Miranda, de 39 anos, decidiu costurar as máscaras depois que sua loja de souvenir fechada.

“Eu sou artesã, minha família toda é artesã e temos uma loja no Santa Marta que vende artigo turístico. A gente produz 90% do que vende na loja só que estamos fechados há um mês. Depois que começou a recomendação para todo mundo usar, eu passei a produzir máscara. Eu vendo as máscaras sob encomenda online e também faço doações para a comunidade. A gente vai ajudando do jeito que pode”, contou Andreia.

Ela resolveu produzir os modelos e as primeiras 200 unidades foram doadas para os moradores da comunidade. Depois disso, a divulgação e a venda acontecem através da internet.

“Quando surgiu a questão do coronavírus, eu não fiz as máscaras imediatamente para venda, fiz para doar para comunidade. Após isso, as patroas de algumas pessoas começaram a pedir para mim”, disse a artesã.
Andreia diz que seu público é da Zona Sul da cidade.

 

“A gente tem acesso pelo Facebook a grupos de algumas regiões do Rio como Laranjeiras, Botafogo e Copacabana. Eu comecei a criar post oferecendo as máscaras e as encomendas foram chegando. A Zona Sul quase toda está usando minhas máscaras agora”, completou Andreia.

 

Jacarezinho
A inciativa foi acompanhada por outros artesãos comunitários em diferentes favelas do Rio de Janeiro. As primas Luana e Mirtes Cristiane resolveram fazer máscaras para o público infantil no Jacarezinho, Zona Norte do Rio.

 

“Com a pandemia, liberaram o uso das máscaras e começaram a pedir máscaras dos personagens porque é mais fácil para as crianças se adaptarem. Ela é feita de tricoline com duas camadas, é o tecido recomendado pelo Ministério da Saúde. Com o bordado dos personagens, eu vendo a R$ 15. A máscara lisa é R$ 10. Ambas já vêm com elástico”, disse Mirtes Cristiane, que está desempregada.

 

“É uma forma de ajudar as pessoas nessa pandemia e ainda consigo juntar um dinheiro já que estava desempregada. Eu faço as máscaras desde semana passada. Fiz para a minha filha e ela usou direitinho. Depois disso, as pessoas começaram a encomendar”, completou a artesã.

 

Complexo do Alemão
Em tempos de crise, é necessário estar pronto para se reinventar também. Denis Torres, de 42 anos, é dono da marca Complexidade Urbana, que vende roupas no Complexo do Alemão.

 

Com a pandemia, ele decidiu paralisar a produção de roupas e focar na confecção de máscaras.
“A gente começou na última quarta-feira (1º) a produção. A venda de roupa online não estava surtindo efeito. Comprei algumas máscaras que estavam no mercado e entrei em contato com um rapaz do Sebrae que me deu algumas referências técnicas. A gente estudou e elaboramos o nosso modelo”, disse Denis.

 

Ele contou ao G1, que está produzindo os “kits família”, um pacote com 5 modelos ( inclusive infantil) que custam R$ 10. Parte da venda dos kits será doado.

 

“Já produzimos 8,9 mil unidades. Parte das vendas eu aplico na produção e a outra parte é investido para doação. A gente vai fazer uma doação para a UPA do Complexo do Alemão. Também ajudamos asilos, pessoas que fazem hemodiálise, idosos e outras pessoas com mais necessidade”, explicou.


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