Escutas de quadrilhas comandadas de dentro de presídios no RJ revelam ‘promoção de drogas’
A investigação que levou à Operação Cadeia S/A, deflagrada nesta terça-feira (8), levantou estratégias traçadas de dentro das cadeias do RJ para comparsas do lado de fora. Durante a manhã, 24 pessoas foram presas.

Chefes de quadrilhas ordenaram, por exemplo, que o tráfico baixasse uma “promoção” de drogas. Outra tática era roubar apenas carros com a documentação em dia – para tal, a placa era consultada.
Agentes tentam cumprir 46 mandados de prisão em todo o RJ.
‘Duas por uma’
Um dos alvos da Cadeia S/A é Jardel de Oliveira Vilas Boas, que cumpre em Bangu penas de 34 anos de prisão por crimes diversos, como latrocínio e tráfico.
Segundo a Justiça, foi ele quem deu os tiros que mataram a empresária Maria Cristina Bittencourt Mascarenhas, dona do restaurante Guimas, na Gávea, em julho de 2014.
De dentro de Bangu, Jardel se preocupa com a venda de drogas na Favela Paula Ramos, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio. E manda fazer uma promoção para vender mais maconha.
– Botar só de só de dez, mas tipo assim, comprou uma levou outra.
Carros escolhidos a dedo
Em outro trecho, dois suspeitos falam sobre a tática de checar se um carro visado para roubo tem pendências. A quadrilha usa o Sinesp, aplicativo do governo federal que dá informações sobre a situação de veículos.
-Tu tem Sinesp aí? Tu tem Sinesp aí no teu?
– Tenho.
– Jogou a placa no Sinesp e é aquele lá que nós queremos, mano.
Em outra gravação, os bandidos negociam o pagamento para clonagem de um carro roubado.
– Vai ter que pegar lá hoje, vai ter que ir lá em São Gonçalo para poder pagar o carro.
– Já é, suave.
– E quanto que é para deixar na mão do cara lá?
– Vou com ele aqui, mas parece que vai ser dois mil do carro e mais, acho que uns 800 da placa e documento.
A quadrilha agia em Niterói e no Rio Comprido, na Zona Norte do Rio, e segundo a polícia, estava aumentando os negócios em cidades das regiões Norte e Serrana do estado.
