Programa Tim Lopes apura se mortes de dois jornalistas em menos de um mês são retaliações, diz Abraji


O Programa Tim Lopes, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), acompanha as investigações sobre os assassinatos de dois jornalistas em Maricá (RJ) em menos de um mês.

Ao G1, a Abraji contou que o programa apura se as mortes de Romário Barros, na noite desta terça-feira (18), e Robson Giorno, em 25 de maio, foram provocadas por retaliações ao trabalho das vítimas e afirma que, neste primeiro momento, “a equipe do programa apura junto às autoridades locais”.

“Caso seja confirmada a ligação com a profissão, o Programa Tim Lopes irá a Maricá para aprofundar a apuração, como feito em 2018 no caso do assassinato de Jairo Sousa, no Pará”.

Segundo a Abraji, o programa foi criado em 2017 para investigar e dar visibilidade a casos como esses. Neste primeiro momento, a equipe apura junto às autoridades locais se os crimes foram motivados pela atuação dos jornalistas como comunicadores.

“Do contrário, outros comunicadores da região ficarão submetidos a um clima de medo, o que pode comprometer a liberdade de expressão”.

O Projeto Tim Lopes é uma resposta da Abraji à violência contra jornalistas, em especial no interior do país. O nome do projeto é uma homenagem ao repórter Tim Lopes, assassinado em 2002 quando fazia uma reportagem no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se manifestou sobre os assassinatos em Maricá.

“Assim como o assassinato de Robson Giorno, é evidente que Romário também foi vítima de um crime premeditado, configurando uma execução”.

De acordo com a Fenaj, a investigação de ambos os assassinatos deve ter como ponto de partida o exercício profissional e é preciso empenho para que os culpados sejam identificados e punidos.

“Exigimos das autoridades competentes celeridade na apuração dos casos, para que a população de Maricá e, em especial, os familiares dos jornalistas e a categoria possam ter uma resposta do Estado”.

A Fenaj lembrou ainda que: “a maior parte dos assassinatos de jornalistas fica impune e que a impunidade é o combustível da violência contra os profissionais”.

Para a Federação, a violência contra os profissionais caracteriza-se como atentado à liberdade de imprensa e, consequentemente, como cerceamento ao direito do cidadão e da cidadã brasileiros de ter acesso à informação jornalística.

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