Inferno sem fim


O inferno astral do Rio de Janeiro não acaba nunca. Depois da prisão de cinco ex-governadores acusados de corrupção, de vários deputados na cadeia, incluindo três ex-presidentes da Assembleia, e até de integrantes do Tribunal de Contas do Estado atrás das grades, agora é a vez do prefeito Marcelo Crivella ter problemas sérios por ter descumprido as leis. Ele pode ser cassado, depois de um processo de impeachment aberto na Câmara de Vereadores da cidade nesta semana. Por 35 a 14, os vereadores aprovaram o pedido de deposição do prefeito. O processo vai levar 90 dias para ser concluído, período em que ele continuará no cargo.

Crivella é acusado de prorrogar um contrato irregular com empresas de publicidade que exploram o mobiliário urbano, como pontos de ônibus e relógios digitais. A denúncia foi apresentada por Fernando Lyra Reys, fiscal da Secretaria de Fazenda e ligado ao PT. Para ele, Crivella cometeu crime de improbidade administrativa ao ter aditado, sem licitação, o contrato de concessão de 1999 autorizando duas empresas de propaganda a explorarem a publicidade em 34 locais públicos. Essas empresas teriam também sonegado R$ 30 milhões em impostos e multas à prefeitura.

Comissão é favorável a Crivella

A comissão do impeachment é composta por três vereadores, dois dos quais ligados ao prefeito (Paulo Messina e Luiz Carlos Ramos Filho). Durante três meses, essa comissão ouvirá a versão do prefeito e de outras testemunhas. Ao final, o relatório dirá se o prefeito deve ser cassado ou não, para então ser votado em plenário. Para aprovar o impeachment, a Câmara precisa de dois terços dos 51 vereadores.

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