Cabeça d’água em Itatiaia: bombeiros encontram corpo de segunda vítima


O corpo da jovem Júlia Machado Miranda, de 18 anos, que desapareceu após uma cabeça d’água atingir Itatiaia (RJ) foi encontrado na manhã desta segunda-feira (21). De acordo com os bombeiros, ela foi localizada a 300 metros do Paraíso Perdido, local atingido pelo fenômeno climático neste domingo (20).

Ainda segundo a corporação, a família da jovem compareceu ao local e reconheceu o corpo, que foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Resende, após sete horas de espera.

Além de Júlia, também morreu José Soares, de 55 anos. O corpo foi localizado na noite deste domingo e o enterro será realizado em uma cidade no interior de São Paulo. Porém, a família não quis dar mais detalhes.

Segundo a Defesa Civil, o rio Campo Belo subiu aproximadamente três metros na noite de domingo. A primeira informação era de que oito pessoas foram levadas para a correnteza, mas depois foi constatado que eram duas vítimas. Com isso, as buscas foram suspensas no início da tarde desta segunda.A cabeça d’água foi provocada por uma forte chuva, que durou aproximadamente duas horas, na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, nas proximidades do abrigo Rebouças, que fica na região da nascente do Rio Campo Belo.
“Foi uma chuva muito forte, muito intensa com bastante granizo e um volume muito grande de água. Para quem não conhece lá em cima, lá tem um solo raso e muitas pedras, então a água não penetra, ela bate no solo e forma uma enxurrada rapidamente e escorre para o rio. Foi por isso que ocorreu a cabeça d’água no Rio Campo Belo”, explicou Fabio Chaves de Carvalho, condutor de visitantes do Parque Nacional do Itatiaia.

“Lá embaixo o tempo estava bom, sol e o pessoal não soube da chuva lá em cima, porque essa chuva foi muito isolada. A tragédia só não foi maior, porque a cabeça d’água chegou tarde lá embaixo, por volta das 18h. Muitos banhistas já tinham ido embora, porque como foi às 14h a chuva, demorou para chegar lá embaixo.’’

Relatos de testemunha
A área do Paraíso Perdido não conta com alertas sonoros sobre tromba ou cabeça d’água. “A gente foi descendo e ouviu a gritaria aqui na frente. Disseram que tinha uma menininha sendo arrastada, eu achei que estava se afogando, quando eu cheguei lá eu vi que a água tinha subido muito rápido, a gente voltou para ter noção da situação e já tava levando muita gente, muita gente que estava na beira conseguiu sair a tempo’’, disse Marcio Ramos que estava no meio das pessoas no momento da tragédia.

Em nota, a prefeitura disse que se solidariza com os familiares neste momento de perda e dor, e dispõe no local de uma equipe da Guarda Municipal e Defesa Civil para informações. Quem tiver parente ou amigo que esteja desaparecido pode fazer contato com a Polícia Militar, através do telefone 190, ou com o Corpo de Bombeiros, através do 193.

Cabeça d’água e tromba d’água
Diferente do fenômeno conhecido como tromba d’água, que é um tornado que acontece tanto na água salgada quanto na água doce, a cabeça d’água acontece depois de uma chuva forte que aumenta o nível do rio e provoca enxurrada por conta do fluxo de água. As informações são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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