‘Se mata polícia como se mata galinha’, diz Pezão em reunião com moradores da Rocinha


Em encontro no Palácio Guanabara, governador se dispôs a comparecer a novos encontros com moradores da comunidade e sugeriu campanha a favor do desarmamento.
O governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão se reuniu, na tarde desta segunda-feira (29), com representantes da Favela da Rocinha para ouvir os pedidos dos líderes comunitários sobre a violência na comunidade. Durante o encontro, os moradores pediram trégua nos conflitos armados e o fim do tráfico de drogas na região. Em pouco mais de quatro meses, 34 pessoas morreram na Rocinha.


Em resposta, Pezão destacou a necessidade da população da Rocinha colaborar com o trabalho da polícia. O governador citou o número de PMs mortos em 2017 disse que não vai colocar policiais na comunidade para morrerem.

“[Traficante] é 1% da comunidade, é zero, é meio por cento. Não passa disso. Agora, todos os territórios dominados por fuzis. Quero que vocês me ajudem também, me deem um caminho porque eu não quero botar polícia lá para ficar levando tiro o tempo inteiro. Eu quero policial morto? No Rio de Janeiro, ano passado, foram 134. Isso não é normal, não tem em lugar nenhum do mundo. A gente não pode achar isso normal (…) Se mata polícia aqui como se mata galinha. Isso não é normal para a família do policial”, analisou.


O governador afirmou também que ‘vai fazer o possível enquanto governo’ e que tem dialogado com ‘áreas de segurança’ para tratar a situação sem política de confronto.

“Eu vou fazer o que me couber da parte do estado (…) Eu estou conversando permanentemente com a nossa área de segurança e a gente tem que fazer uma grande campanha pelo desarmamento. Isso só pode ser feito pelas lideranças das comunidades, da ONGs, igrejas”.

Pezão ainda disse que a guerra do tráfico existe porque há procura pelas drogas e que seria difícil, como governador, mudar a situação sem que também houvesse uma política nacional sobre o assunto:

“As pessoas cobram mas alimentam o tráfico porque, se estamos nessa guerra, se tem guerra pelo comando [do tráfico], é porque tem consumidor e dá dinheiro. Eu não vou fazer essa demagogia porque é muito mais fácil criticar quem está consumindo. (…) Não é que a polícia pega e vai fazer vista grossa para o cara que quer ir lá consumir, porque aí é o país que tem que fazer outra política de acabar com a droga, ou legaliza, ou.. se discute.”, disse


Em nota, o Governo do RJ disse que Pezão reconheceu a necessidade de modificar o projeto das UPPs devido à queda da arrecadação do estado, mas frisou que a criação de um fundo de segurança vai garantir mais recursos para a área.

Ainda nesta segunda, a polícia prendeu um homem apontado como um dos traficantes que participou da invasão da Rocinha em setembro de 2017.

Em pouco mais de quatro meses, desde 18 de setembro de 2017, 34 pessoas morreram na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. De acordo com a Polícia Militar estão, entre os mortos em ações policiais, 32 suspeitos de integrarem facções de traficantes, um PM e mais uma turista espanhola de 67 anos.
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