Máfia dos Combustíveis: Promotor fala sobre Operação e investigação em usina


    Promotor Fabiano Rangel fala sobre Operação e revela que milhões de litros de combustível adulterados saíram de Campos para distribuidoras.


   Na operação da Promotoria de Investigação Penal de Campos, coordenada pelo Promotor Fabiano Rangel Moreira(na foto), realizada nos postos de combustíveis e na Usina Canabrava, em Campos, o Ministério Público(MP-RJ) pode estar apenas começando a apurar um grande esquema de adulteração de combustíveis, envolvendo grandes distribuidoras, usina e postos de combustíveis. 
    De acordo com o promotor Fabiano Rangel, além de postos lacrados, diversos documentos foram apreendidos na Usina Canabrava. Na tradução do que afirma o promotor, seria “o fio da meada” para se chegar a uma espécie de Máfia dos Combustíveis. A operação desta manhã terminou com dois postos interditados e duas bombas lacradas, além de quatro pessoas presas e caminhões apreendidos. Também foram apreendidas duas armas, entre elas, uma pistola calibre 380. 

    O promotor Fabiano concedeu entrevista coletiva no final da tarde e explicou que as investigações continuam e que os laudos dos combustíveis suspeitos foram enviados para exame no Rio de Janeiro. Anunciou, ainda, que cerca de sete milhões de litros de combustível adulterados foram distribuídos para três grandes distribuidoras (Ipiranga, Shell e BR) com suspeitas de que este material seria proveniente de Campos. De acordo com o promotor, na verdade existem investigações de 12 meses atrás sobre postos em Campos e região e que essa investigação atual começou há 35/40 dias, envolvendo, também, a Canabrava, onde diversos documentos foram apreendidos. Participaram da ação, o Inea, o Procon Estadual, Barreira Fiscal, Polícia Rodoviária Federal PRF), Polícia Militar (PM) e Secretária Estadual de Governo, entre outros. 
A OPERAÇÃO 
   O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Campos e do Grupo de Apoio às Promotorias (GAP), realiza a operação “Combustível Limpo” nesta terça-feira (15), em Campos. 
    A ação tem o objetivo de combater a máfia da adulteração de combustíveis, que fabricou e distribuiu, para postos parceiros, aproximadamente 19 milhões de litros de etanol adulterados. A estimativa é de que a atividade tenha gerado danos em aproximadamente 400 mil veículos. Iniciada ainda na madrugada, a operação realizou blitz em pontos distintos da BR101. Foram interditados postos de combustíveis na cidade e bombas foram lacradas.
   Nos locais examinados foram apreendidos documentos e amostras de gasolina e etanol. Todo o material foi encaminhado para análise dos promotores de Justiça e do laboratório conveniado, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um caminhão de combustível e até uma pistola calibre 380 também foram apreendidos. A operação envolve ações de integrantes do Ministério Público, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do PROCON e da Receita Estadual, com fiscalizações na Usina Canabrava, usina de produção de álcool, distribuidoras, depósitos e postos de combustíveis; enfim, toda a cadeia produtiva existente na região. A operação teve o suporte do GAP e das polícias Rodoviária Federal e Militar. 
    A definição dos locais observou dados existentes em denúncias e evidências surgidas em investigações e processos criminais. O resultado da operação “Combustível Limpo” trará subsídios para a adoção de providências penais contra os proprietários e responsáveis pelas empresas, inclusive podendo levá-los à prisão. A Usina Canabrava já era alvo das principais distribuidoras de combustíveis do país, como Petrobras, Shell e Ipiranga, que a denunciaram por ter fabricado e adulterado álcool anidro com utilização de metanol e depois distribuído para cerca de dois mil postos no Rio de Janeiro e São Paulo. 
  No processo de adulteração, um percentual de etanol puro era separado para venda, enquanto a maior parte recebia adição de metanol, em substituição à quantidade retirada. O metanol é um produto importado por fábricas de tintas e sua utilização, na adulteração, é motivada por preços praticamente irrisórios e dificuldade na constatação, exigindo análise laboratorial para detecção.
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