Desenhista mineiro desafia trânsito paulistano para vender HQ do ‘Combate da sogra contra o capeta’


   Lacarmélio Alfêo de Araújo, o Celton, já vendeu 80 mil exemplares dançando entre carros e procurando engarrafamentos em São Paulo.
   Lacarmélio Alfêo de Araújo, 58 anos, passaria anônimo pelas ruas de São Paulo não fosse alguns detalhes que fazem isso acontecer exatamente ao contrário: um terno amarelo gema e um cartaz com letras garrafais anunciando “O combate da sogra contra o capeta”. Calma! É uma história em quadrinhos que ele mesmo escreveu, desenhou e vende diariamente driblando carros e motos. Mineiro de Belo Horizonte, ele desembarcou na capital paulista no domingo (7), onde permaneceu até este domingo (14).

    Na bagagem de sua motocicleta nada possante, ele viajou cerca de 600 quilômetros entre as capitais “café com leite” trazendo uma muda de roupa, o tal terno amarelo (que mais parece com o usado por Jim Carrey, em o Máskara), mil exemplares do HQ e um cartaz desmontável com hastes de alumínio. Eu sou o Celton, aliás, Celton é meu apelido. Meu nome é Lacarmélio Alfêo de Araújo, mas por causa da revista as pessoas me chamam por esse nome”, disse ele, orgulhoso. 
     O orgulho vem da origem do apelido. Celton é, na verdade, a identidade secreta de um personagem criado por ele na década de 1970, quando trabalhava como engraxate: “O homem felino”. Ele oferecia aos seus clientes enquanto passava graxa nos sapatos. “Sou de Belo Horizonte, vez ou outra eu viajo para São Paulo para vender. 
   Os motivos são os mesmos de todos os produtores independentes, quando a barra financeira pega, tem de dar uns pulos diferenciados para pagar aquelas contas que começam a ficar acumuladas. No meu caso, nessas vacas magras, a mensalidade do meu filho. Tive de levantar uma grana para pagar a escola do meu filho e pagar a gráfica também”, disse Celton, sempre atento ao movimento dos carros que circulam pela Avenida Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo. Ele já perdeu as contas de quantas vezes veio a São Paulo para vender a história do duelo entre a sogra e o capeta, que ele criou em 2009, data da 1ª edição. 
     “Essa é a 11ª edição da mesma revista. É a mais vendida de todas. Já vendi 80 mil exemplares. Eu ando com a placa e a placa diz em poucas palavras o que preciso dizer. Tem a roupa também que ajuda. Uso esse terno amarelo. O que ajuda também é que agora conheço um pouco mais as ruas de São Paulo”, disse Celton
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