Açu com um mar de perspectivas


Marcus Pinheiro

Fotos: Michelle Richa

Com investimentos bilionários e foco no futuro, o Porto do Açu, inaugurado em 2014, segue ampliando as suas áreas de atuação e exploração rumo à evolução do distrito industrial e dos canais marítimos. Em 2017, terra e mar serão submetidos a intervenções capazes de expandir uma série de expectativas em face dos projetos já realizados no complexo portuário. Disposto em uma área de 90 km² e com os terminais onshore e offshore em funcionamento, o Porto do Açu — considerado por especialistas como um dos mais eficientes e seguros do mundo — opera movimentações de cargas de minério de ferro, granéis sólidos, projeto e ainda, mais recentemente, o transbordo de petróleo.
De acordo com dados da Prumo Logística — cedidos à equipe da Folha da Manhã em uma visita guiada pelo complexo industrial nessa semana — somadas, as operações referentes ao embarque de cargas de minério de ferro, realizadas nos últimos dois anos, totalizarão até o encerramento de 2016 18 milhões de toneladas. O que comprova a possibilidade de expansão do complexo, no qual a capacidade de movimentação é de até 26,5 milhões de toneladas por ano.
O último mês de agosto foi marcado pelo início das atividades do Terminal de Petróleo (Toil), que é o local onde acontece o transbordo de petróleo em área abrigada por um quebra-mar. No Toil os navios operam cercados por barreiras de contenção, o que possibilita uma ação mais ágil e segura durante todo o ano, de forma menos dependente das condições climáticas. Segundo especialistas, nesta forma de operação, a realização de transbordos em áreas abrigadas confere eficiência e redução nos custos para os clientes e aumenta a competitividade do petróleo brasileiro no exterior. Desde a sua implantação, quatro operações foram realizadas no Toil, a quinta está prevista para ser realizada ainda neste mês. O Porto do Açu tem capacidade de transbordo de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia. O contrato atual prevê a transposição de 200 mil barris por dia.
Já em setembro, foi realizada no Porto do Açu a primeira operação com coque — que é um combustível fóssil granulado derivado do petróleo — no Terminal Multicargas (Tmult). Na ocasião, o MV Orient Orchid, que saiu da cidade de Port Arthur, no Texas (EUA), descarregou 48.205 toneladas do granel no Tmult. A descarga do coque foi realizada em regime de 24 horas e todo o material está estocado no pátio de granéis do terminal, até que seja levado para fábricas de cimento instaladas na região Sudeste do país.
Ainda em setembro, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, esteve no Porto do Açu com o intuito de conhecer o complexo e o distrito industrial de SJB para avaliar a aptidão da região para sediar uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). As ZPE’s são áreas de livre comércio, destinadas à instalação de empresas, com 80% de sua produção voltada para a exportação.
Desenvolvimento com proteção ambiental
Com a intenção de promover a proteção e a recuperação do ecossistema de restinga de São João da Barra, o Porto do Açu criou a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Caruara. O espaço reservado à preservação do meio ambiente nativo possui aproximadamente quatro mil hectares quadrados, o que confere à reserva sanjoanense o título de maior unidade de conservação privada de restinga do país, e a única do estado do Rio de Janeiro que protege este tipo de ecossistema. Desde a sua implantação em 2012, a Caruara já recebeu o plantio de mais de 750 mil mudas.
Com o intuito de ampliar a consciência ambiental dos moradores da região, a empresa responsável pela gestão do complexo portuário produziu o livro “O Tempo e a Restinga”, que descreve as espécies vegetais registradas no município. Os livros estão sendo distribuídos em escolas da rede pública, dentre outros departamentos.
Para o cuidador de mudas, Carlos Flor de Souza, 52 anos, que trabalha no replantio dos vegetais de restinga, a criação da RPPN foi fundamental para a preservação do futuro do ecossistema da região. “Eu tenho filhos e netos, e penso muito neles quando estou aqui. Por isso, eu tenho orgulho do meu trabalho. Eu estou plantando o futuro”, contou.
De acordo com dados oferecidos pela Prumo, a RPPN Fazenda Caruara é a unidade de conservação responsável por mais da metade da arrecadação do ICMS Verde de São João da Barra. Segundo a secretaria de Estado do Ambiente, somente em 2015, o município recebeu R$ 1.712.216,00 referentes ao repasse de recursos financeiros.
Previsão de novidades no segundo semestre
Novidades na terra e no mar são previstas para o Porto do Açu, em 2017. Até o final do ano que vem, a profundidade do canal de acesso ao Toil será ampliada, com o intuito de alargar a capacidade de recepção para navios maiores. Atualmente, com aproximadamente 1,5 mil metros de cais e 20,5 metros de profundidade, o Toil pode receber navios intitulados Suezmax, que comportam o armazenamento de até 170 mil toneladas de petróleo. No entanto, a partir da nova fase de aprofundamento marítimo para até 25 metros, o terminal navios da classe VLCC (Very Large Crude Carrier), que carregam até 320 mil toneladas.
Também para 2017 está prevista a exploração do Condomínio Logístico, que será a primeira operação do distrito industrial. O setor foi lançado no último mês de outubro, e segundo a Prumo, deverá iniciar as atividades no segundo semestre do próximo ano. O local será explorado por empresas prestadoras de serviços, que utilizarão galpões regulares para disponibilizar seus produtos ao mercado interno do complexo. O condomínio contará ainda com um centro de conveniências composto por posto de combustíveis, farmácias, restaurantes, e um hotel.
Fonte:Folha da Manhã
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